Onde está o teu mercado hoje
Quem compra, por que preço e por que motivo escolhe outro. A leitura começa pelo que já existe, não pelo que gostaríamos que existisse.
O que estamos a vender, exactamente, e a quem?
O que olhamos
- Clientes actuais e clientes que se perderam
- Preço, proposta e concorrência visível
- Canais por onde o trabalho chega
O que pedimos
- Lista de clientes dos últimos dois anos
- As propostas enviadas, aceites ou não
- Os canais onde recebes pedidos
O que fica escrito: Uma página com os tipos de cliente, o que cada um procura e o que faz escolher outra empresa.
Exemplo fictício. Numa pastelaria de bairro fictícia, a lente pergunta se as encomendas de festas e a venda ao balcão são o mesmo cliente, e porque deixaram de encomendar dois clientes antigos.
O que se faz e em que ordem
O percurso do pedido até à entrega, com as esperas e os retrabalhos à vista. Onde a operação trava é onde o tempo se perde.
Onde é que o trabalho pára à espera de alguém?
O que olhamos
- Etapas, responsáveis e esperas entre elas
- Capacidade real contra a capacidade prometida
- Erros que voltam a acontecer
O que pedimos
- Um pedido recente, seguido do início ao fim
- Quem trata de cada etapa
- Os erros que mais se repetem
O que fica escrito: Um mapa do percurso com as esperas marcadas e as três mudanças que mais libertam tempo.
Exemplo fictício. Na mesma pastelaria, segue-se uma encomenda de bolo, da chamada à entrega, e vê-se onde espera por uma decisão.
O que sustenta o crescimento
Margens, tesouraria e a relação entre o que se vende e o que sobra. Números lidos como sinais, não como notas de fim de ano.
Que parte do que vendes dá dinheiro e qual não dá?
O que olhamos
- Margem por produto, serviço ou cliente
- Ciclo de tesouraria e o seu fôlego
- Custos fixos e o que os justifica
O que pedimos
- Demonstração de resultados e balancete
- Extratos dos últimos meses
- A lista de custos fixos
O que fica escrito: Uma leitura das margens por linha de produto e do que cada euro de venda deixa.
Exemplo fictício. Na pastelaria, descobre-se que o produto mais vendido deixa pouco depois de contar ingredientes e horas de forno.
Quem faz o quê, na prática
As funções como são vividas, não como estão escritas. O trabalho que ninguém está a fazer costuma ser o que mais pesa.
Que tarefa importante não tem dono?
O que olhamos
- Funções reais face às funções declaradas
- Decisões que ficam sem resposta
- Conhecimento que só uma pessoa tem
O que pedimos
- O organigrama, se existir
- Conversas curtas com quem faz o trabalho
- As decisões que costumam ficar paradas
O que fica escrito: Um quadro de funções reais, com o que falta e o que está a mais.
Exemplo fictício. Quem decide o preço das encomendas especiais? Se só a dona sabe, é uma função sem dono e um ponto de espera.
O que depende de pouco
O que pode correr mal e o que sustenta o negócio num só ponto. O risco não se elimina; nomeia-se e distribui-se.
Se uma pessoa ou um cliente sair amanhã, o que acontece?
O que olhamos
- Dependência de uma pessoa, cliente ou fornecedor
- Compromissos e prazos que não se podem falhar
- O que não está documentado
O que pedimos
- Contratos com fornecedores e clientes principais
- Seguros em vigor
- O que está apenas na cabeça de alguém
O que fica escrito: Uma lista de dependências, ordenada pelo que mais custaria se falhasse.
Exemplo fictício. Se o único forno avariar numa semana de Natal, ou se a única pasteleira adoecer, o que acontece?
O negócio, visto de uma vez
Sem escolher uma parte, o negócio aparece todo ao mesmo tempo, e tudo parece igualmente urgente. As lentes servem para ordenar.
Por onde começar, se tudo parece urgente?
O que olhamos
- Uma conversa aberta sobre o que preocupa
- Os documentos que já existem
- O que gostarias de decidir nos próximos meses
O que pedimos
- Nada de especial: começamos pelo que existir
- Uma pessoa que decida pela empresa
- Duas horas para a primeira conversa
O que fica escrito: Uma proposta de por onde começar, com as razões, e a lente que mais ajuda.
Exemplo fictício. Na pastelaria, tudo parece urgente: preço, pessoal, forno, clientes. A lente certa mostra qual desses fios puxar primeiro.